Poesia Sobre Multiculturalidade e Dignidade Humana
Além dos mapas e das línguas: o que nos torna verdadeiramente humanos hoje.
Esta poesia é um convite à reflexão sobre a nossa essência comum, que pulsa por baixo da rica tapeçaria de cores, línguas e crenças que compõem o nosso mundo.
O Tecido de Todos Nós
Não há fronteira que confine o vento,
Nem rio que separe a sede do irmão.
O mapa é um traço, um breve momento,
Perante a batida de cada coração.
Vimos de nortes gelados e sul de calor,
Trazemos na língua o sotaque da terra,
Mas é universal a linguagem da dor,
E o sonho da paz que sobrevive à guerra.
A dignidade não é privilégio ou herança,
Não veste uma seda, nem mora num cais;
É o direito sagrado de cada criança
De ser, simplesmente, humana e iguais.
Olha o vizinho de rosto distante,
Nas mãos ele guarda a mesma esperança:
Um chão de respeito, um pão constante,
Um mundo que aceite a nossa mudança.
A nossa beleza é a multidiversidade,
Mil cores que formam uma única luz.
Pois só é livre a tal humanidade
Que entende que o outro também nos conduz.
Quebrem-se os muros de medo e de frio,
Sejamos a ponte em vez do deserto.
Pois o mar, afinal, só se faz com o rio,
E o futuro se escreve de peito aberto.
Uma breve reflexão
Vivemos num tempo em que a conectividade digital é máxima, mas a conexão humana muitas vezes parece frágil.
Celebrar a multiculturalidade não é apenas aceitar o outro; é reconhecer que a dignidade dele é o espelho da nossa. Quando uma cultura é silenciada ou um direito é violado, o tecido do mundo inteiro se desfaz um pouco.



